segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sobre cabelos e cocadas... E machismo

Se digo que vou cortar meus cabelos, a primeira coisa que sempre ouço é: "Seu namorado gosta de cabelo curto?". Assim, sem a menor vergonha. Parece uma coisa simples, mas pra mim significa muito. Porque se não temos liberdade nem pra decidir o que fazer com nossos cabelos, tem algo de muito errado nesse mundo.
Quando eu estava fazendo o curso de cabeleireira, tinha uma menina mestiça de oriental com um cabelão enorme, ia quase até a cintura. Um belo dia ela deixou um professor cortar o cabelo dela. Ela terminou aquela sexta-feira com um corte na altura do queixo (channel, para os íntimos) e umas mechas acobreadas, o cabelo ficou lindo. Lógico que essa decisão foi seguida de várias indagações do tipo: "Ah, mas seu namorado não vai ligar?" Pois é. E ele ligou, e muito. Tanto que na segunda-feira ela estava com o mesmo cabelão do começo da sexta, e pretos. Quando perguntei o que tinha acontecido, veio a resposta: "Ah, meu namorado não gostou."
Pausa para meu choque:
QUÊ?

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Conheço uma mulher que adora cocada. Mas o marido não gosta. Um dia ela queria fazer uma travessa de cocada. Só que a mãe dela ficou o tempo todo falando que ela não devia fazer a cocada, já que o marido não gostava e ia acabar sobrando. Eu disse que ela deveria fazer a cocada e comer a travessa toda, se fosse necessário. Você não imagina o brilho nos olhos dela quando eu apresentei essa possibilidade, que ela nem imaginava existir.

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Essas duas histórias mostram como o machismo ainda está incrivelmente presente em nossa sociedade. Ele pode se esconder, você pode fingir que não o vê, mas ele não vai embora.

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Dei uma sumida porque tou numa fase meio complicada da minha vida. E ficar falando de violência contra a mulher e coisas do tipo realmente não melhoram meu humor. Prefiro escrever no meu outro blog.