Nunca que isso vai me parecer suficiente. Dez anos não pega nem metade da atrocidade que ele cometeu. Aí ficamos naquela situação ridícula, né? De querer que ele seja linchado ou torcer para que a famosa justiça carcerária tome conta dele. Eu não me sinto confortável nessa situação. Queria muito ver uma punição pelo sistema judicial que me parecesse pelo menos adequada. Mas não há.
Você pode me falar de tratamento, mas eu sinceramente não acredito. Existem casos incuráveis. Um psicopata, por exemplo. Ele nunca vai se curar simplesmente porque nunca vai entender que fez algo de errado. Tem um documentário chamado No Safe Place (Nenhum Lugar Seguro), que trata sobre violência contra a mulher, em especial estupros. Em um estudo feito nesse documentário, fica muito claro que estupradores não admitem que são estupradores. Eles sempre acham que a vítima queria, que a vítima gostou, que foi consentido. Eles também nunca assumem que foi um crime violento. Culpam a vítima, a sexualidade feminina, a sociedade, maus tratos e todo outro tipo de abobrinha. A culpa nunca é deles. Veja esse Jaílson. Ele tem a coragem de dizer que eram as meninas que o provocavam. Eu não acho que um belo dia ele vai admitir que cometeu um crime hediondo.
Não quero tratamento para uma pessoa desses, quero punição.
No mesmo documentário o O Doutor Michael Ghiglieri, um biólogo que já escreveu bastante sobre violência masculina diz:
Se um estuprador escapa livre ou sofre uma punição leve, isso significa que o estupro é uma estratégia sexual viável para muitos homens. O estupro é inevitável se não for punido.
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E aí o arcebispo de Olinda e Recife resolve excomungar todos os envolvidos no aborto da menina. Um ridículo tamanho que nem cabe no meu mundo. Mas no mundo de uma cidadezinha do interior de Recife onde toda a vida social deve girar em torno da igreja, me parece uma punição bem grave.
