Inicialmente eu não iria falar sobre isso, por ser muito mais um crime de xenofobia do que contra gênero. Mas diante do rumo que as coisas tomaram, não dá para ficar quieta.
A imprensa e a polícia suíça vem tratando o caso com uma superficialidade chocante. Como se tudo fosse apenas uma invenção, delírio de uma mulher louca, pq imigrante não é um povo confiável.
O Neue Zürcher Zeitung, um dos diários de maior prestígio na Suíça, denomina o caso como o de "uma jovem brasileira encontrada com cortes no corpo" em uma estação de trem de Zurique.
Como a maioria dos veículos suíços, o jornal cita a imprensa no Brasil, afirmando que o incidente tomou uma dimensão política no país, onde "está sendo considerado um ataque racista".
Interrogações marcam o tom das reportagens publicadas nesta sexta-feira na Suíça. "Como poderiam três homens atacar uma mulher por volta das 19h30, sem chamar a atenção, em uma estação de trem bem frequentada?" é uma das perguntas lançadas pela edição desta sexta-feira do diário Tages-Anzeiger, de Zurique.
O jornal questiona ainda por que somente na quinta-feira a polícia convocou testemunhas, como era possível que fossem gravadas letras tão legíveis no corpo de alguém que tentava se defender, e por que nenhum neonazista teria sido percebido no bairro até então.
Fonte.
Adoro a capacidade de jornalistas serem estúpidos. "Está sendo considerado um ataque racista"? Ah, pq uma mulher ser agredida com cortes por todo o corpo que fazem menção a um partido xenófobo não é nada racista. E as outras alegações de que os cortes foram superficiais e as letras estão muito nítidas chega a ser ridículo. Me lembra muito casos de mulheres que são estupradas e a primeira coisa que as pessoas questionam é se ela estava vestida, pq estava em um lugar sozinha, e outros tipos de babaquices. Pq qualquer alegação, por mais idiota que seja, é o suficiente para desconsiderar qualquer versão apresentada pela mulher.
O blog do Noblat (que conhece o pai da mulher) aponta coisas importantes:
1. Paula estava grávida ou mentiu?
As fotos que publiquei são de uma grávida. Tanto as que mostram Paula feliz quanto as que mostram sua barriga riscada por um estilete ou outro objeto cortante.
2. Por que Paula, depois de agressão que diz ter sofrido, correu para um banheiro da estação de trem ao invés de procurar ajuda de moradores da região?
A estação de trem é próxima do local da suposta agressão. O local é uma área semideserta. Os agressores, segundo relato do pai da Paula, a deixaram só de calcinha e sutiã. Nevava. Para onde correr?
Do banheiro, Paula telefonou para seu companheiro Marco, que chegou pouco depois acompanhado de uma ambulância e de dois detetives da polícia de Zurique.
Foi no banheiro, segundo o pai da Paula, que ela começou a perder sangue e temeu estar abortando.
3. Paula pode ter estado grávida, perdido as gêmas antes da suposta agressão e se autoflagelado?
Em tese, sim. Mas ainda não foram apresentadas provas de que isso aconteceu.
Os médicos que a socorreram na noite de domingo podem comprovar se ela chegou ao hospital perdendo sangue.
É de se imaginar que a polícia examinou o banheiro da estação onde ele foi encontrada. É fácil para os médicos provarem que ela nunca esteve grávida.
Dizer que ela hoje não está grávida, ou que não estava ontem, ou anteontem, não significa que ela não estivesse grávida na noite do domingo.
Há casos de mulheres que abortam e que se autoflagelam depois. Mas por que Paula retalharia nas duas coxas e na barriga a sigla do partido de ultradireita que governa a Suiça?
Logo ela que estava pronta para casar com um suíço e continuar morando na Suíça?
Logo ela que tem o emprego estável de advogada em Zurique da empresa dinamarquesa A P Moeller/Maersk, líder mundial em transporte de contêineres?
Paula trabalhou para a Maersk em São Paulo. Convidada pela empresa, mudou-se para a Suíça.
Uma pessoa descontrolada emocionalmente, a ponto de retalhar o próprio corpo, seria capaz de desenhar com um estilete a sigla de um partido nas coxas e na barriga só para conferir credibilidade à história de que fora atacada por três neonazistas?
Fonte.
Eu só gostaria que a versão da brasileira fosse tratada com algum crédito, e não desmerecida de cara pela imprensa e pela polícia suíça. a pior das agressões que essa mulher sofreu não foram os cortes ou a perda dos bebês, e sim a falta de credibilidade em sua história.
