Ou ainda: como ignorar totalmente as mulheres.
Como havia mostrado no post anterior, a grife italiana Relish fez uma campanha (que se passa no Rio de Janeiro) absurdamente sexista. E aí que um executivo da marca, Alessandro Esposito, resolveu pedir desculpas. Era melhor que tivesse ficado quieto.
Segundo Esposito, a vontade era dramatizar a situação crítica, que, segundo ele, foi inspirada no filme “Thelma e Louise” e analisá-la de um ponto de vista irônico.
Olha, eu adorava "Thelma e Louise" quando era pequena e não me lembro de nenhuma cena em que elas adoravam sofrer violência da polícia. Muito pelo contrário, elas tavam o tempo inteiro fugindo dos policiais. E eu não vejo a menor ironia em mulheres sendo colocadas em situação de violência. Mas eu sou feminista, né? Essa raça sem senso de humor.
Esposito diz ainda que não houve nenhuma intenção em representar a mulher como objeto, nem incentivar a violência.
Ah claro, a intenção era apenas fazer uma campanha irônica.
Esposito afirma ainda que a imagem das modelos não é de medo, como seria se a situação representada fosse verdadeira, e que tudo na imagem é exagerado, bem longe de ser verdade.
Isso, me chama de retardada que eu gosto. Esse é exatamente o problema da propaganda, oras pois. Já que ela pega uma situação de violência e a glamouriza, e ainda dá a impressão que as mulheres estão gostando.
E termina a nota dizendo que campanhas publicitárias fortes são muito usadas no setor da moda, gerando polêmicas.
Lógico, essa é a forma de marketing mais suja e infelizmente muito usada: "Vamos colocar mulheres em situação de violência para chamar a atenção." Pelo menos ele assume que a campanha não foi criativa. Mas não é porque todo mundo faz bobagem que vc tem direito de fazer a sua.
Aí na mesma matéria tem as críticas que a campanha sofreu:
No dia 1º, a Polícia Militar publicou comunicado criticando a campanha. A PM considerou de “mau gosto a utilização de trajes que simulam seu fardamento por modelos que realizam um arremedo de revista pessoal, de forma totalmente alheia às normas e regras internas”. A PM diz ainda que “o que se vê é, no mínimo, desrespeito a uma instituição”. A PM repudiou a ação “que tenta fazer crer que policiais desrespeitam também normas morais e éticas durante o serviço”.
Ó, coitadinhos dos pms que estão com a imagem denegrida por essa campanha. Como se a polícia do Rio precisasse disso para ter a imagem suja o suficiente.
O prefeito Eduardo Paes também criticou a campanha. Para ele, a propaganda é de mau gosto e prejudica a cidade.
“Não é boa pra imagem da cidade, não é boa pra imagem da Policia Militar, nem acho que tem uma relação direta com o Rio. Portanto, o que eu pretendo fazer é não dar muita atenção a isso, não ficar ajudando a polemizar esse assunto. Vamos minimizar essa história e tratar de trabalhar pela cidade.”
Veja que o problema é que a campanha é prejudicial para a cidade do Rio de Janeiro (provavelmente por causa dos pms), as mulheres em situação de violência é um mero detalhe que parece que ninguém lembrou. então vamos esquecer essa bobagem toda e tocar a bola pra frente, né?
Incrível como as mulheres foram totalmente ignoradas pelas autoridades do Brasil. Até a grife prestou mais atenção.
Fonte.
