quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Maysa - Quando Fala o Clichêzão

Estava bastante animada para ver a minissérie Maysa. Mesmo sabendo que quem a escreveu foi o Manuel Carlos, achei que o Jayme Monjardim não ia deixar o autor sacanear muito.
Ledo engano.
Maysa foi uma mulher incrível, intensa, e bem idependente para as normas da época. Mas o autor véinho, que acha que sabe tudo de mulher, jogou toda a personalidade dela no lixo e a transformou em mais uma de suas insuportáveis Helenas. Além de praticamente ignorar todo o talento artístico de Maysa, a minissérie a mostra como uma chata. Tou achando que se repetirem a cena do acidente que provocou sua morte, o público vai vibrar.
Lira Neto, que escreveu uma biografia sobre a cantora, resumiu bem:

Angústia virou capricho
Assim, a principal vítima das inconsistências e simplificações da minissérie é mesmo a própria Maysa. Todas as suas perplexidades, seus tormentos e suas angústias foram reduzidos a meros caprichos e desvarios de uma moça mimada. A complexidade de sua personalidade intensa e autodestrutiva, os abismos existenciais de sua alma, tudo isso foi transfigurado em queixumes e rompantes de uma rebelde sem causa, traumatizada pela separação do marido.
Resultado: Maysa está de novo na pauta do dia. Isso é ótimo para sua memória e faz justiça a seu talento. Mas, se os telespectadores estão encantados com a Maysa da televisão, o que diriam se conhecessem a verdadeira Maysa, em carne, osso e amargura. Humana, demasiadamente humana.

Além disso, toda hora a personagem aparece falando como ela é demais:

"A segurança de Maysa nunca descambou para um certo deslumbre por seu próprio talento como às vezes aparece na minissérie", disse Neto, que exemplificou um trecho no qual a personagem pergunta: "Quem não conhece Maysa?".
Fonte.

É uma pena. Poderia ter sido uma ótima minissérie, homenageando uma das maiores cantoras que esse país já viu. Mas virou apenas um novelão chato, cheio de clichês propagados por um autor que acha que entende muito a alma feminina, mas está totalmente por fora.

Pra quem quer saber mais sobre a verdadeira Maysa, e não sobre mais uma Helena, acho que o caminho é ir até a biografia escrita por Lira Neto "Maysa: Só Numa Multidão de Amores".