A matéria de capa fala sobre o aborto, com o enfoque de que mesmo sendo proibido pelas leis brasileiras é algo que acontece bastante, e com a ajuda de médicos profissionais.
A realidade dos consultórios
Enquanto as questões éticas, religiosas e científicas ficam
sem resposta, mais médicos brasileiros optam por ajudar suas
pacientes decididas a interromper uma gravidez indesejada.
E abre com o seguinte parágrafo:
Em um mundo ideal, o aumento da eficiência, a diminuição do custo e a facilidade de acesso aos métodos anticoncepcionais femininos e masculinos poderiam ter reduzido o aborto no Brasil a sua dimensão puramente médica. Ele seria praticado apenas para salvar a vida da mãe ou na circunstância de o feto que ela carrega no útero ter sido gerado por estupro ou ser inviável, por um defeito grave de formação. Mas não existe o mundo ideal. O aborto continua sendo um dilema social, humano, jurídico e um risco para a saúde de quase 1 milhão de mulheres brasileiras todos os anos. Essa questão, sem solução unânime no campo religioso (quando o feto passa a ter alma?) e no científico (quando a vida começa?), vem sendo encarada no dia-a-dia dos consultórios. Tem crescido o número de médicos que, diante da irredutibilidade das pacientes em abortar, consideram seu dever profissional ajudá-las a enfrentar da melhor maneira possível as consequências da decisão.
A matéria segue contando casos de ginecologistas famosos que já ajudaram pacientes a interromper uma gravidez (seja por indicação de medicamentos abortivos, seja por indicação de clínicas especializadas), e mulheres que passaram por essa experiência.
Fiquei surpresa em ver médicos renomados dizendo que ajudam suas pacientes, e mulheres que dizem já ter feito um aborto. Porque tudo isso é crime segundo nossas leis¹.
Outro trecho que eu gostei foi:
Por mais que a mulher esteja determinada e certa de sua decisão, optar por um aborto é sempre devastador. Ninguém que já tenha vivido a situação relata a experiência com a tranquilidade de quem acabou de dar um passeio no shopping.
É isso. Muitas pessoas ainda teimam em acreditar que se o aborto for liberado, todas as mulheres vão se dirigir felizes e contentes a clínicas e sair de lá tomando sorvete e sorrindo. Isso não vai acontecer. Da mesma maneira que se casamentos entre casais homossexuais forem legalizados, casamentos héteros não serão extintos. Não dá pra analisar o mundo dessa forma tão rasa.
Enqüanto isso, o aborto continua acontecendo sendo ele ilegal ou não. É uma realidade, não adiantar fugir dela.
Vale ressaltar que a matéria foi escrita por uma mulher: Adriana Dias Lopes.
¹E a Soninha já teve muita dor de cabeça por muito menos, lembram?
