segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Questão de saúde pública

Semana passada, diante do caso do juiz que vai indiciar 1500 mulheres por aborto, resolvi fazer uma enquete perguntando oq as pessoas acham desse assunto. 16 pessoas votaram e o resultado foi o seguinte:

Sou contra: 1 voto - 6%
Sou a favor nos casos já previstos em lei (estupro, risco de morte da mãe): 1 voto - 6%
Sou a favor em qualquer caso: 14 votos - 87%

A questão do aborto sempre é complicada por essas bandas porque sempre tem o dedinho da Igreja pra azedar o doce. Eu sinceramente não consigo nem raciocinar com o argumento de que "a vida começa na fecundação". Pensar que um conglomerado de células pode ser considerado um ser humano é demais pra minha cabecinha. Não consigo absorver mesmo.

Em junho de 2007 o ministro da saúde José Gomes Temporão deu uma entrevista muito boa à Superinteressante:

Desde que o senhor assumiu o cargo, o debate sobre a legalização do aborto foi reaceso. Por que esta é uma questão médica importante?

É importante lembrar o contexto dessa polêmica. Não fui eu que escolhi o tema. O tema é que me escolheu. Isso apareceu no meio de uma entrevista em que me perguntaram qual a minha posição sobre o aborto. Disse que era uma questão de saúde pública. No ano passado, foram realizadas 220 000 curetagens pós-aborto na rede pública. Estima-se em 1,1 milhão o número de abortos clandestinos por ano no Brasil. Recentemente, aconteceram mortes em conseqüência de abortos malsucedidos no Rio e em Belém. E, como as classes de menor renda não têm acesso à informação e aos métodos anticoncepcionais, são as mulheres pobres que realizam aborto em condições inseguras. Para as mulheres ricas, o aborto é uma questão que não se coloca. Elas fazem. Em condições seguras. Pagam R$ 2 000, R$ 5 000. As mulheres pobres não. Existe também uma questão de gênero. Eu pergunto: se os homens engravidassem, será que essa questão já teria sido resolvida? Como é que alguns setores têm coragem de dizer que essa é uma questão que não pode ser discutida? Não vamos discutir que as pessoas estão morrendo? A realidade está batendo na nossa cara.
Fonte.

Em uma resposta o ministro conseguiu resumir tudo de mais importante sobre essa questão.
Virou ídolo absoluto no meu reino.